Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de julho de 2012

TUDO O QUE VICIA COMEÇA COM "C"


(Luiz Fernando Veríssimo)


Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.

... Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letraC!

De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.

Até o Counter striker é um perigoso viciante.

Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.

Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também – adivinha – começa com a letra c.

Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum.

Impressionante, hein?

E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.

Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade… cinco.

Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.

terça-feira, 26 de junho de 2012

A ROSA E O SAPO


Era uma vez uma rosa muito bonita, que se sentia envaidecida em saber que era a rosa mais linda do Jardim.


... Mas começou a perceber que as pessoas só a observavam de longe.Acabou se dando conta de que, ao seu lado sempre havia um sapo grande, e esta era a razão no qual ninguém se aproximava dela.



Indignada com a descoberta ordenou que o sapo saísse de perto dela imediatamente.


O sapo, muito humildemente, disse:


-Esta certa, se é assim que você quer...




Algum tempo depois, o sapo passou próximo de onde estava a rosa, e se surpreendeu ao vê-la murcha e sem pétalas.


Penalizado, disse a ela:


-Que coisa horrível, o que aconteceu com você?


-É que desde que você foi embora, as formigas se aproximaram e me comeram dia à dia, e agora nunca mais vou voltar a ser o que era.


O sapo respondeu:


- Quando eu estava por aqui, eu comia todas as formigas que se aproximavam de ti, por isso eras a rosa mais bonita do Jardim.


Muitas vezes não valorizamos os outros, por acharmos que somos superiores, mais 'bonitos', de mais valor, e achamos que os outros não nos servem para nada.


Deus não fez ninguém para 'sobrar' neste mundo.Todos têm que aprender uns com os outros.Nunca devemos desvalorizar alguém. Pode ser que uma dessas pessoas que não damos valor, nos faça um bem que nem nós mesmos percebemos.

sábado, 5 de novembro de 2011

QUERO VOLTAR A CONFIAR- Arnaldo Jabor

Fui criado com princípios morais comuns.
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades...
Confiávamos nos adultos, porque todos eram pais, mães ou familiares da nossa rua, do bairro ou da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror...
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos.
Tudo que os meus netos um dia enfrentarão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos velhos, dos jovens e dos adultos.
Direitos humanos para os criminosos, deveres ilimitados para os cidadãos honestos.
Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Trabalhador digno e cumpridor dos deveres vidou otário.
Pagar dívidas em dia é ser tonto - anistia para corruptos e sonegadores.
O que aconteceu conosco?
Professores maltratados nas salas de aula; comerciantes ameaçados por traficantes; grades em nossas janelas e portas.
Que valores são esses?
Automóveis que valem mais que abraços. Filhas querendo uma cirurgia como presente por passarem de ano.
Filhos esquecendo o respeito no trato com pais e avós.
No lugar de senhor, senhora, ficou “oi cara”, ou “como está, coroa”?
Celulares nas  mochilas de crianças.
“O que vais querer em troca de um abraço?” – “A diversão vale mais que um diploma.” – “Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa.” – “Mais vale uma maquiagem do que um sorvete.”  - “Aparecer do que ser.”
Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar nas flores…
Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar “olho no olho”. Quero sair de casa sabendo a hora em que estarei de volta, sem medo de assaltos ou balas perdidas.
Quero a vergonha na cara e a solidariedade.
Onde a palavra valia mais que um documento assinado. Quero a esperança, a alegria, a confiança de volta. Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de” ao falar de uma pessoa.
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da manhã. E definitivamente bela como cada amanhecer.
Quero ter de volta o meu mundo simples e comum, onde existam o amor, a solidariedade e a fraternidade como bases.
Vamos voltar a ser gente. A ter indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito. Construir um mundo melhor, mais justo e mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.
Utopia?
Quem sabe.
Precisamos tentar.
Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão.
Quem sabe começando a caminhar ou ajudando a transmitir esta mensagem teremos de volta nossa dignidade, nosso respeito, nossos direitos, nossas  vidas.
Pense, decida.
Só depende de você.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A SOPA DE PEDRA

Quando era criança, tinha prazer em ler alguns contos que moldavam minha personalidade. Era muito bom conseguir entender uma história com meus próprios olhos, de decifrá-la. Por isso, quando tiver meus filhos, terei aquelas horas para ler e mostrar como o mundo é mágico diante de palavras e significados. 
Um conto que li, certa vez, ficou separado no cantinho do meu pensamento e hoje pude revivê-lo...


-A SOPA DE PEDRA-

Era uma vez um viajante que andava de país em país, de terra em terra. Um dia quando estava de passagem por uma pequena aldeia reparou que a sua comida tinha acabado, e já estava ficando com muita fome.
Foi andando de um lado para o outro a pensar numa forma de arranjar comida. Tinha muita vergonha de pedir, mas parecia que daquela vez não tinha outro jeito.
Enquanto ia andando, deu um pontapé numa pequena pedra que estava no chão; era uma pedra muito lisa e bonita, foi então que teve uma idéia para conseguir almoçar sem sentir tanta vergonha.
Bateu à porta de uma casa, que parecia ser de um grande agricultor da região.
Quando o dono da casa abriu a porta o viajante disse-lhe:
– Bom dia senhor, eu sou viajante e trago comigo uma pedra mágica capaz de fazer a melhor sopa do mundo, quer provar?
Ao dizer isto, retirou do bolso uma pedra muito lisa e redonda. Era parecida com outras que o agricultor conhecia mas, como gostava muito de sopa, decidiu provar a tal melhor sopa do mundo.
O viajante entrou e pediu uma panela grande com água e um pouco de sal; colocaram a panela no fogo e a pedra lá dentro. Quando a água começou a ferver o viajante provou e disse:
– Está quase pronta, mas ficará ainda melhor se lhe pusermos umas batatas.
– Oh homem! Não seja por isso, eu sou um grande agricultor desta região, batatas é coisa que não me falta.
– Obrigado, assim a sopa vai ficar muito melhor.
Passado mais algum tempo voltou a provar.
– Está quase..., mas ficava ainda melhor se lhe pusermos umas cenouras.
O agricultor lá foi buscar as melhores cenouras que tinha em casa.
Após provar várias vezes o viajante foi pedindo outros vegetais, como couve, cebola, feijão, entre outros. Quando a sopa já estava rica em vegetais, o viajante disse:
– Caro amigo, a sopa está ficando uma delícia!
O agricultor mal podia esperar para provar a sopa - coisa que ele adora.
O viajante após provar mais uma vez pediu:
– Oh amigo esta sopa ficava ainda melhor se lhe pusermos um pouco de carne de porco, tem ai alguma coisa? Chouriço, por exemplo.
– Já lhe disse que sou agricultor, coisas dessas não faltam cá em casa.
Mais uma vez foram colocando algumas carnes na sopa.
Provou mais uma vez e disse com um grande sorriso:
– Está pronta!!!
– Já não era sem tempo, vamos lá provar essa sopa
O viajante serviu a sopa para os dois. Depois de a provar, o agricultor exclamou:
– Tinha razão, é mesmo a melhor sopa que já comi até hoje, essa sua pedra é realmente mágica. Não quer vendê-la?
– Não está à venda, é muito valiosa para mim, foi-me oferecida por um mago de um país distante.
– Muito bem, obrigado do mesmo jeito por me ter deixado provar esta sopa.
– Obrigado eu.
Despediram-se. O viajante continuou a sua viagem por outras terras, utilizou várias vezes a sua pedra mágica e assim conseguiu comer sem ter vergonha de pedir e foi desta forma que a receita da sopa de pedra foi passando de terra em terra e hoje ainda a podemos provar em vários locais, com diferentes receitas.
 

.